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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pela nação?


Para saber como o governo tem se posicionado perante as questões ambientais, especialmente quanto as construções de barragens hidrelétricas e flexibilização das legislações ambientais como é o caso do Novo Código Florestal, segue aqui um apanhado de notícias:

Um telegrama obtido peloWikileaks, do dia 5 de maio de 2008, afirma que Lobão, recém-empossado naquele momento, se mostrou “um amigo da indústria e a favor da privatização do setor elétrico”. Além disso, o documento assinala que, em seminário realizado no Rio de Janeiro naquele mesmo ano, o ministro teria enfatizado que o “MME (Ministério de Minas e Energia) deve ser obsessivo no que diz respeito a honrar os contratos para evitar ceticismo nos investidores”.

São muitos os interesses envolvidos na construção desta usina. Quando o IBAMA autorizou a licença de instalação da usina, cerca de 300 cientistas produziram uma carta de protesto que foi protocolado em Brasília e remetido à Presidenta Dilma Roussef, no manifesto os especialistas pedem a suspensão imediata da licença e declaram que ser uma imprudência tal decisão. 

Seria cômico se não fosse trágico vivermos em um país que é comandado por políticos que ignoram aqueles que o elegeram. A opinião dos especialistas e de seus estudos que comprovam que tal empreendimento é um equívoco, é rechassada sem maiores explicações... A presidenta não se coloca frente as manifestações e a imprensa finge que não viu... 

Segue um trecho da matéria publicada no G1:

“Esperamos que a presidente Dilma nos dê uma posição sobre o tema. Nós já tentamos enviar uma carta há 15 dias, mas ela não se pronunciou a respeito. Isso significou um gesto de absoluto descaso com a ciência brasileira. Queremos contribuir para uma tomada de decisão com mais clareza” - Sônia Magalhães, doutora em antropologia da Universidade Federal do Pará

Além da carta dos especialistas, também foi encaminhado à Presidenta, um abaixo-assinado com 500 mil assinaturas de brasileiros e estrangeiros e até agora nenhuma resposta. Será que 500 mil pessoas não representam a população brasileira?

Aqui a matéria que comenta sobre o abaixo-assinado, publicado pela Agência Brasil:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-02-08/governo-recebe-abaixo-assinado-contra-usina-hidreletrica-de-belo-monte#.TgeUET8cXnM.facebook
 

Porque tanta violência com o povo defensor da floresta?

 Se os empreendimentos que ocorrem  nestas terras, seja a construção da usina hidrelétrica no rio Xingú, seja a abertura das florestas, agora com  a possibilidade da permissão do novo Código Florestal - para pastagens ou para derrubada de árvores pelas madeireiras, fossem algo legítimo, apoiada pelo povo brasileiro, careceria matar os que são contra? Se estão matando pessoas, ameaçando outras que lutam pela floresta em pé, será que não tem algo bem sujo nisso? 


Ocorre que, além das doenças e do alcoolismo, os madeireiros levaram também aos indígenas o aliciamento, o suborno, para que permitissem a derrubada de árvores em suas terras. “Em troca da concordância de alguns líderes, os madeireiros lhes davam dinheiro e até automóveis”, revela o cacique, que esteve por duas semanas em Brasília em busca de proteção à sua vida e à de outros líderes Suruí junto à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

O cacique afirma que os madeireiros espalham que floresta é atraso. “E aí eles falam que precisa matar quem quer atrasar o progresso. Eles mandam recado. Os madeireiros é que falam em matar. Não é o empresário. Ele manda o “toreiro” (o indivíduo que derruba a árvore e prepara a tora para transporte). Depois é que o empresário compra. Deve dar muito lucro. Por isso mandam matar. Eles dizem: tem de matar o Almir que aí os outros líderes recuam.”
 
“Minha morte está encomendada. Em algum ponto da floresta está sendo preparada uma emboscada. Só estão esperando uma situação mais favorável.”

A sociedade espera que a proteção chegue antes do pistoleiro.

E como se não bastassem estes atentados contra a vida, os povos da floresta ainda sofrem com violência da própria polícia... eles estão sendo violentados de diversas maneiras, seja moralmente, seja fisicamente!

Tomados pelo desespero de um futuro incerto, ribeirinhos que estão sendo ameaçados pelo alagamento de suas casas diante da aprovação da construção da usina no rio Xingú, abandonam seus lares para se aglomerarem em locais sem a mínima condição para recebê-los. As regiões próximas ao empreendimento não possuem infraestrutura para as pessoas que já vivem nestes locais e a situação encontrada é de caos.

Segundo matéria publicada no site do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens:

Os moradores de uma área que será alagada pela barragem e que ocuparam um terreno na parte alta da cidade sofreram dois despejos violentos pela polícia. Segundo os moradores, a polícia atuou sem mandado de reintegração de posse e usou balas de borracha e bombas de gás para despejá-los. Durante a ação, muitas pessoas foram detidas e levadas a delegacia.
Segundo informações da Polícia Civil, a área ocupada pertence à Eletronorte, a principal acionista de Belo Monte.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Qual a verdadeira intenção do BNDES? - Folha de São Paulo.


São Paulo, 21 de junho de 2011 - Folha de São Paulo
BNDES cria piloto de ação social em megaobras

Banco escolhe cinco projetos para testar modelo criado em Itaipu

Instituição de fomento admite que esse tipo de ação demorou a ser incorporado entre as suas atribuições

AGNALDO BRITO
DE SÃO PAULO

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai criar grupos regionais no Brasil para discutir medidas socioambientais no entorno de grandes obras de infraestrutura que são financiadas pela instituição.
É a primeira vez que o banco ajudará a criar e participará da costura de acordos regionais de cunho socioambiental, com vistas a atender o entorno dos projetos.
O plano está sendo avaliado há dois anos e será testado em 2011.
O banco acredita que isso pode reduzir a objeção aos grandes megaprojetos de infraestrutura, como a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).
O objetivo não é incluir as exigências do empreendedor, contidas na licença de instalação dos projetos, no rol de ações regionais, mas envolver a sociedade civil a fim de obter dela novos dados sobre suas necessidades.
O banco de fomento poderá até criar linhas de crédito para financiar essas ações, embora não queira ser o único financiador.
"Os projetos de infraestrutura trarão ganhos aos empreendedores. O plano é fazer com que essas obras também resultem em benefícios para quem vive no entorno do projeto", disse Wasley de Assis Magalhães, assessor da presidência do BNDES.
O projeto tentará aplicar os conceitos adotados hoje no sistema de mobilização adotado pela usina hidrelétrica de Itaipu, onde um punhado de programas socioambientais conseguiu envolver a população regional e os poderes constituídos ao redor de um plano de ação local.
"Admitimos que estamos atrasados nessa questão. Chegamos um pouco tarde, por exemplo, aos projetos das usinas hidrelétricas do rio Madeira. Embora haja ações lá, não fizemos como deveríamos fazer", admite o assessor do BNDES.

CINCO PROJETOS
O banco escolheu cinco projetos-piloto a partir dos quais pretende definir até o fim deste ano o modelo de participação da instituição na mobilização regional.
Além da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, o banco deverá se envolver diretamente na costura regional de acordos socioambientais em outros quatro casos: no porto do Rio Grande (RS), no porto Açu (RJ), no projeto Codap (na região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais) e no empreendimento da Suzano, que constrói uma fábrica de papel e celulose no Estado do Maranhão.


 
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